"Depois que Jacó retornou de Padã-Arã, Deus lhe apareceu de novo e o abençoou,
dizendo: 'Seu nome é Jacó, mas você não será mais chamado Jacó; seu nome será Israel'. Assim lhe deu o nome de Israel.
E Deus ainda lhe disse: 'Eu sou o Deus Todo-poderoso; seja prolífero e multiplique-se. De você procederão uma nação e uma comunidade de nações, e reis estarão entre os seus descendentes.
A terra que dei a Abraão e a Isaque, dou a você; e também aos seus futuros descendentes darei esta terra'.
A seguir, Deus elevou-se do lugar onde estivera falando com Jacó.
Jacó levantou uma coluna de pedra no lugar em que Deus lhe falara, e derramou sobre ela uma oferta de bebidas e a ungiu com óleo.
Jacó deu o nome de Betel ao lugar onde Deus tinha falado com ele."
"Jacó e todos os que com ele estavam chegaram a Luz, que é Betel, na terra de Canaã.
Nesse lugar construiu um altar e lhe deu o nome de El-Betel, porque ali Deus havia se revelado a ele, quando fugia do seu irmão.
Débora, ama de Rebeca, morreu e foi sepultada perto de Betel, ao pé do Carvalho, que por isso foi chamado Alom-Bacute."
"Deus disse a Jacó: 'Suba a Betel e se estabeleça lá, e faça um altar ao Deus que lhe apareceu quando você fugia do seu irmão Esaú'.
Disse, pois, Jacó aos de sua casa e a todos os que estavam com ele: 'Livrem-se dos deuses estrangeiros que estão entre vocês, purifiquem-se e troquem de roupa.
Venham! Vamos subir a Betel, onde farei um altar ao Deus que me ouviu no dia da minha angústia e que tem estado comigo por onde tenho andado'.
Então entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam e os brincos que usavam nas orelhas, e Jacó os enterrou ao pé da grande árvore, próximo a Siquém.
Quando eles partiram, o terror de Deus caiu de tal maneira sobre as cidades ao redor que ninguém ousou perseguir os filhos de Jacó."
"Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:
'Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.
Mas eles só consentirão em viver conosco como um só povo sob a condição de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.
Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio'.
Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.
Três dias depois, quando ainda sofriam dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade desprevenida, matando todos os homens.
Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e partiram.
Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido desonrada.
Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.
Levaram as mulheres e as crianças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.
Então Jacó disse a Simeão e a Levi: 'Vocês me puseram em grandes apuros, atraindo sobre mim o ódio dos cananeus e dos ferezeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos destruídos'.
Mas eles responderam: 'Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta?'."
"Os filhos de Jacó, porém, responderam com falsidade a Siquém e a seu pai Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.
Disseram: 'Não podemos fazer isso; jamais entregaremos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.
Daremos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.
Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.
Mas se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partiremos'.
A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Siquém.
O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó."
"Por isso Siquém foi dizer a seu pai Hamor: 'Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher'.
Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou calado, até que regressassem.
Então Hamor, pai de Siquém, foi conversar com Jacó.
Quando os filhos de Jacó voltaram do campo e souberam de tudo, ficaram profundamente entristecidos e irados, porque Siquém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó — coisa que não se faz.
Mas Hamor lhes disse: 'Meu filho Siquém apaixonou-se pela filha de vocês. Por favor, entreguem-na a ele para que seja sua mulher.
Casem-se entre nós; dêem-nos suas filhas e tomem para si as nossas.
Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: Habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades'.
Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: 'Concedam-me este favor, e eu lhes darei o que me pedirem.
Aumentem quanto quiserem o preço e o presente pela noiva, e pagarei o que me pedirem. Tão-somente me dêem a moça por mulher'."
"Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.
Siquém, filho de Hamor, o heveu, governador daquela região, viu-a, agarrou-a e violentou-a.
Mas o seu coração foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura."